11 de mai de 2014

Apresentação do Blog

A evolução da tecnologia trouxe a nós, humanos do século XXI, uma vida de relativo conforto e segurança. Por outro lado, trouxe também uma grande dependência tecnológica, desconexão do indivíduo em relação à natureza, e a perda da noção de responsabilidade individual (no sentido de cuidar de si mesmo e dos seus, da própria subsistência). Para se ter uma ideia, até meados da década de 60, mais da metade da população brasileira vivia em áreas rurais e possuía certo nível de subsistência. Em apenas 50 anos a concentração de pessoas em áreas urbanas subiu para mais de 80%(1).

O aumento da complexidade da nossa sociedade, graças às novas tecnologias de produção e à concentração das pessoas em cidades, levanta novas questões. Hoje a grande maioria das pessoas vive em centros urbanos e depende do bom funcionamento dos sistemas de produção e distribuição para ter alimentos, energia e bens de consumo. Uma complexa cadeia de serviços interdependentes que abastece cada loja e mercado do país.

Para o homem comum não mais importa de onde vêm as coisas e como se produz tudo o que ele consome, há uma aceitação de que haverá sempre um mercado à sua disposição, basta a ele cumprir o seu papel como cidadão: trabalhar e fazer seu pé de meia para que possa consumir. Mas as coisas não funcionam dessa forma, na natureza não há garantias. Os alimentos ainda precisam de terras férteis e água para crescer, demandam uma mão de obra enorme para o seu  cultivo e sofrem com variações climáticas. Os produtos industrializados também dependem de uma enorme cadeia, desde a extração dos recursos naturais, sua transformação em insumo, o fabrico do produto final e seu transporte para os pontos de venda. De forma análoga acontece com a distribuição de energia, que depende de uma enorme infraestrutura para ser distribuída. Os sistemas de distribuição são como uma uma malha de correntes, toda interligada por elos.

Mas e se ocorrer uma quebra em algum ponto dessa corrente?



Fazendo uma observação um pouco mais apurada podemos perceber que há uma dependência quase total de nossas vida nesses sistemas e tecnologias. Dessa forma nos encontramos num jogo de roleta russa no qual, caso estes sistemas falhem,  podemos sofrer desde pequenos incômodos até grandes alterações em nosso estilo de vida.

Já pudemos observar alguns episódios, como no início do ano quando ocorreu o apagão que deixou mais de três milhões de pessoas sem energia em várias regiões do país devido à alta atípica de consumo de energia(2).
Depois disso veio a seca inesperada, que tem deixado os reservatórios das hidrelétricas "no talo", deixando incerteza sobre o abastecimento das grandes cidades no futuro próximo. Por motivos políticos ainda não foi posto em prática o racionamento, mas a possibilidade de que ocorra em 2015, com maior severidade, é altíssima.(3)
Também nesse ano pudemos assistir à greve da polícia militar na Bahia que, com um saldo de com 59 homicídios e inúmeros furtos e roubos em dois dias(4)(5), mostrou o quão tênue é a linha que nos separa do caos total.
Finalmente, seguindo as tendências econômicas mundiais, temos a instabilidade da economia nacional trazendo uma provável recessão(6)(7)(8)(9), que está sendo cada vez mais camuflada por um governo corrupto com tendências totalitárias.

Mas aí você pode me dizer "acontece, foi falta de planejamento, ano que vem vai chover de novo" ou "tudo bem, não precisamos fazer alarde por causa de um pouco de racionamento" ou talvez "a greve da polícia foi um caso isolado", etc.

Mas e se?

Se a merda batesse no ventilador agora...
você estaria realmente preparado?


E se, ano que vem não chover o suficiente? E se a economia afundar e virarmos uma Argentina ou uma Venezuela?(10)(11)(12) E se houver um colapso social(13).



O exemplo do meteoro aqui ao lado é um exagero, mas a possibilidade dos demais eventos que coloquei, não são tão irreais quanto parecem. O cidadão comum não dá muita atenção aos possíveis desdobramentos dos fatos.

Estes são apenas alguns exemplos mais extremos considerando algumas ocorrências recentes. Mas cada um tem o seu ponto de vista e as suas razões para se preparar. Muitas vezes as razões podem ser bem mais simples e pessoais. Por exemplo, um pai de família, trabalhador assalariado, pode pensar que se perder seu emprego amanhã seria boa ideia contar com seu estoque de três meses de comida para poder avaliar calmamente a situação, com a barriga cheia, e não entrar em desespero pelo menos por esse período.

Não é necessário criar cenários apocalípticos para se tornar um sobrevivencialista. Basta ser realista e ter em mente que merda acontece. Não somos especiais, as situações calamitosas que acontecem ao redor do mundo podem, também, se abater sobre nós a qualquer momento. Estamos passando por um momento na história onde a complexidade de nossos sistemas  está ultrapassando nossa capacidade de gerenciá-los de forma harmoniosa. Está se criando uma atmosfera de grande instabilidade, ambiental, política e econômica. São tempos em que as coisas estão mudando rapidamente e tudo pode acontecer num futuro não tão distante. Temos que estar preparados para as possibilidades.

 pode ser que o ganho astronômico de popularidade do movimento de preparação e sobrevivencialismo nos EUA e no Reino Unido, e que vem se popularizando recentemente no Brasil, pode ser um sinal indicador da percepção coletiva de que o momento pelo qual estamos passando, globalmente, demanda cautela.


Esse pensamento é parte do porquê aderi ao sobrevivencialismo como uma filosofia para a minha vida. Digo "parte" pois mesmo antes de conhecer sobre o sobrevivencialismo já achava que o "pensar no futuro" não se limitava só a estudar e acreditar que seria "feliz para sempre", mas também considerar que as coisas podem dar errado, que empecilhos podem ocorrer na minha caminhada.


Crises são inevitáveis, em maior ou menor escala. Sejam elas pessoais ou sociais, catástrofes naturais ou causadas pelo homem, elas virão em algum momento. E eu pretendo passar por elas da forma mais confortável (ou menos desconfortável) possível. Na minha ótica, este é o pensamento sobrevivencialista, sobreviver, e garantir a sobrevivência dos meus, sob qualquer circunstância e com o mínimo de sofrimento.


. . .


O termo SHTF, que nomeia o blog, vem da expressão em inglês Shit Hits The Fan, que significa "merda bate no ventilador", ou seja, um evento que possa nos deixar numa situação de sobrevivência, seja a perda de seu emprego ou uma guerra nuclear.


Eu criei este blog com a intenção de compartilhar minha visão e aprender mais, incitando discussões sobre o tema e realizando traduções, do inglês, de bons textos da área.

Sinta-se a vontade para comentar e debater.

Victor Z.

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Referências e leitura complementar:

1. UOL Geografia, 2006. Urbanização do Brasil: Consequências e características das cidades.
2. O DIA, 2014. Mais de três milhões são afetados pelo apagão que atingiu 11 estados.
3. ELETROSUL, 2014. Adiar racionamento trará déficit severo em 2015.
4. FOLHA DE SP, 2014. Salvador tem saques e mortes na segunda noite após greve da PM.
5. G1, 2014. Salvador registra 59 homicídios e 159 carros roubados durante greve da PM.
6. YAHOO Finanças, 2014. Mark Mobius vê risco de recessão no Brasil.
7. ESTADÃO, 2014. PIB brasileiro pode crescer menos de 1% em 2014 se houver racionamento.
8. ESTADÃO, 2014. Para especialista, Brasil corre risco de recessão em 2014
9. REUTERS BRASIL, 2014. Nobel de Economia vê risco de recessão global em 2014.
10. FOLHA DE SP, 2013. Falta de produtos bate recorde na Venezuela.
11. FOLHA CENTRO SUL, 2014. Povo passa fome na Venezuela.
12. EL PAIS, 2014. A Venezuela alcança a inflação mais alta do mundo.
13. GALILEU, 2014. NASA destaca possibilidade de colapso da civilização


IMB, 2011. Em que ponto do ciclo econômico está a economia brasileira?
SOBREVIVENCIALISMO, 05/2014. Sobrevivencialistas X Preparadores: Qual a diferença?
GUIA DO SOBREVIVENTE, 11/2013. Básico do sobrevivencialismo e preparação - pt 1.

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